A Cosmovisão Cristã em um Mundo de Vãs Ideologias

A ideologia pode ser vista como uma falsa consciência, utilizada com o intuito de justificar uma determinada ordem social; uma suposta leitura verdadeira da realidade 3. Nesse sentido, ideologia é um elemento básico em qualquer visão de mundo, pois fornece as crenças básicas e estabelece os ideais de vida de uma pessoa.

Relevantes como o Sal, Resplandecentes como a Luz

“A metáfora ‘sal da terra’ e ‘luz do mundo’ empregada por Jesus é das mais contundentes e significativas do Novo Testamento, fornecendo aos discípulos inspiração e responsabilidade para o cumprimento da missio Dei1 no mundo. A ilustração empregada pelo Mestre foi decisiva para pavimentar o testemunho cristão no curso da história e ainda permanece igualmente válida para a igreja contemporânea, instigando-a ao cumprindo da missão que lhe foi confiada.

O problema da fome no mundo contemporâneo

A terra original criada por Deus era farta, com mantimento suficiente para a subsistência dos primeiros humanos. O Criador disponibilizou ao primeiro casal comida em abundância, conforme extraímos de Gênesis 1.29-30: ‘E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda erva que dá semente e que está sobre a face de toda a terra e toda árvore em que há fruto de árvore que dá semente; ser-vos-ão para mantimento. E a todo animal da terra, e a toda ave dos céus, e a todo réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde lhes será para mantimento’ (Gn 1.29-30).

Graça Preveniente

Graça preveniente é o termo teológico que explica a forma como Deus capacita o homem previamente para que possa atender ao chamado da salvação. Assim como muitas outras doutrinas bíblicas, a exemplo da Trindade e da depravação total, o termo “graça preveniente” não se encontra expressamente[1] nas Escrituras, mas o ensino sim, visto tratar-se de uma categoria bíblica tácita, evidenciada por meio da interpretação sistemática do Texto Sagrado.

Pentecostalismo e Pós-modernidade, de César Moisés Carvalho

O teólogo pentecostal Gary McGee escreveu que alguém, certa vez, comentou que o “Pentecostalismo é um movimento à procura de uma teologia, como se não estivesse ele radicado à intepretação bíblica e à doutrina cristã”. Embora McGee não tenha concordado com a afirmação, é preciso questionar sobre o tipo de teologia o movimento Pentecostal estaria à procura. Se for uma teologia racionalista e antissobrenatual, do tipo que rejeita a atualidade dos dons e a experiência do Espírito, certamente não há sequer necessidade de sair em sua busca, muitos menos achá-la; por outro lado, se estamos falando de uma teologia genuinamente pentecostal, que valoriza a sua Tradição focalizada no mover do Espírito, então a assertiva talvez tenha um certo sentido.

Por esse prisma, o Pentecostalismo é em grande medida um movimento à procura de uma teologia que honre o seu histórico e suas premissas fundamentais, precisamente a crença na atuação divina nos dias de hoje de modo real e não meramente em palavras. Tal procura é legítima, visto que, além de revelar um ato de humildade – diante da profundidade daquilo que se busca, destaca a identidade própria e distintiva do movimento, cuja preocupação sempre foi privilegiar a prática e o dinamismo da vida no Espírito, em detrimento da sua teorização.

Até onde posso sintetizar, esta é a tônica de Pentecostalismo e Pós-modernidade: quando a experiência sobrepõe-se à Teologia (CPAD, 2017), obra do amigo teólogo César Moisés Carvalho, na qual propõe uma reflexão teológica distintamente pentecostal para tempos pós-modernos. Como nos faz saber o autor, a obra é composta de textos anteriormente escritos e que revelam duas fases na sua perspectiva teológica: A primeira contém material produzido entre 1999 e 2010, redigido “sob influência substancial da teologia reformada” (p. 13); a segunda, reúne textos de 2011 para cá, “e não mais se subordinam ao pensamento reformado, mas procura ressonância com as doutrinas mestras do cristianismo, sem necessariamente se preocupar com a ‘aprovação` epistemológica do referido grupo”.

Pentecostalismo e protestantismo

Em tempos de comemoração do aniversário da Reforma Protestante, que neste ano completa 499 anos, é comum reacender a discussão a respeito de quem faz parte da tradição protestante dentre os grupos do segmento evangélico. É uma espécie de análise do divino direito hereditário ao movimento reformista do início do Século XVI, conduzido em regra por certo elitismo teológico que insiste em monopolizar um evento que combatia esse tipo de postura.

Nesta mesma época do ano passado chamei a atenção para a complexidade e heterogeneidade do movimento reformador, com implicações eclesiásticas, morais, políticas e econômicas. Em seu cerne estava o protesto contra a corrupção religiosa e a venda de indulgências pela igreja, assim como a defesa de que cada cristão pudesse, por si só, ler e compreender as Escrituras. A Reforma combateu, entre outras coisas, a autoridade central e o monopólio clerical como fonte única e oficial de interpretação da Bíblia.

A secularização e a dessacralização da teologia

Depois da secularização da sociedade, vivemos o tempo da secularização da teologia. Ou então, a dessacralização da religião.
Se a teologia transforma Deus em mero coadjuvante do seu estudo, então não há razão para ser chamada por este nome. Um estudo onde são priorizados os efeitos sociais da religião, em detrimento da sua causa principal, que é Deus, talvez deva ser chamado não de teologia, mas de religiologia.

Pentecostalismo e política

Há, ainda, pouca produção da teologia pentecostal aplicada à teologia política. Amos Yong, que talvez seja um dos poucos teólogos pentecostais a investigar essa área com profundidade, em seu livro In the Days of the Caezar: Pentecostalism and Political Theology reconhece que poucos teólogos pentecostais têm buscado desenvolver uma teologia política a partir da metodologia e hermenêutica pentecostal, especialmente em razão da tradição oral do pentecostalismo e a sua recente chegada ao meio acadêmico.

Tais fatores, aliados ao pluralismo do pentecostalismo global, segundo Yong, dificultam articular uma auto-compreensão eclesial da identidade e da metodologia da teologia pentecostal . Não obstante, segundo Amos Yong, embora se suponha que o pentecostalismo seja uma teologia baseada na experiência, espiritualidade ou piedade, é possível se extrair dela implicações normativas para a fé cristã em praça pública . Ele afirma que uma reflexão teológica distintamente pentecostal não é apenas uma atividade paroquial, “mas tem potencial construtivo para iluminar a crença e a prática cristã no século XXI”.