Modéstia cristã: como isso se relaciona com a juventude?


Modéstia é uma daquelas palavras que em nosso tempo perdeu quase que completamente o seu real significado.

Na grande maioria das vezes ela é empregada com uma conotação negativa. “Não seja modesto”, dizemos para alguém que está acanhado. Falamos“modéstia à parte” quando queremos justificar alguma de nossas qualidades. Chamamos de “falsa modéstia” a atitude falsa e hipócrita de alguém. Hoje em dia, portanto, essa palavra é entendida como sinal de acanhamento, timidez social, fraqueza e até mesmo de fingimento. Algo que as pessoas não devem querer ter e muito menos cultivar.

Em uma sociedade competitiva e de aparências, em que as pessoas fazem questão de demonstrar publicamente suas habilidades e atividades por meio das redes sociais, “#modéstia” dificilmente estará entre os tópicos mais importantes (trendtopics – para usar a expressão do Twitter) da vida das pessoas. Essa inversão do significado da palavra é ruim porque, além de não fazer jus ao seu sentido original, desconsidera a sua importância e valor enquanto virtude cristã. O problema não é somente a mudança do significado em si, mas sim a condição que a sociedade chegou a ponto de transformar uma qualidade moral em defeito social (Is 5.20).

Resgatar o real sentido da modéstia à luz das Escrituras é uma atitude fundamental por parte do jovem cristão, pois ela está relacionada diretamente à forma como vivenciamos a fé e testemunhamos o amor de Deus na sociedade. Na perspectiva cristã, modéstia tem a ver com humildade (1 Pe 5.5), simplicidade e singeleza de coração (At 2.46). O maior exemplo de humildade vem do próprio Senhor Jesus (Fp 2.7). Ele é o nosso padrão de modéstia (Jo 13). A modéstia verdadeira,além de nos levar a reconhecer os outros superiores a nós mesmos (Fp 2.3), implica também em reconhecer nossa pequenez diante de Deus (Jó 42.2) e considerar que aquilo que somos, fazemos e possuímos é resultado da sua maravilhosa graça. Isso inclui as nossas conquistas educacionais e profissionais.

Na juventude cristã, essa modéstia também se revela no afastamento do orgulho, arrogância e egocentrismo (Pv 16.18), tratando as pessoas, sejam crentes ou não, com amor e respeito. Ela também está relacionada com uma vida moderada (2 Tm 1.7) e de domínio próprio (Gl 5.22), ajudando o jovem a contentar-se com aquilo que tem (Fp 4.11), e a fugir do consumismo desenfreado e dos excessos exigidos pelo instituto da carne, especialmente da compra de bens supérfluos. Enfim, longe de ser uma fraqueza moral, a modéstia cristã é uma virtude poderosa em Deus!

Escrito por Valmir Nascimento Milomem Santos e publicado originalmente na Revista Geração JC. 

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