IGREJA EMERGENTE: OVELHAS SEM APRISCO


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Valmir Nascimento

Entre uma navegação e outra na internet, entre sites e blogs, topo com o texto de alguém que diz ter saído da igreja e que mesmo assim sente-se feliz. Ele tenta justificar o abandono do templo com argumentos nada convincentes de que o cristão pode ser cristão ser ter que participar de qualquer ministério. Ele faz parte do contingente de pessoas que acreditam na igreja emergente. Não quero aqui discutir o aspecto teológico desse nova teologia liberal, Silas Daniel já o fez muito bem em seu livro.

O que me leva a escrever sobre o fato é que essa mesma pessoa, em um de seus últimos posts, relata em tom deprimente e melancólico como tem sido a sua vida depois que abandonou a igreja. Ele reconhece que tem estado confuso, sem identidade e que há poucos dias sentiu-se fora do céu. Ele diz que foi abandonado pelo antigos amigos de igreja, e que os seus domingos já não são mais os mesmos, principalmente na parte da manhã, na hora que estava acostumado a ir para a escola bíblica dominical.

Confesso que ao ler as palavras dele fui tomado por um sentimento de tristeza. Triste ao ver o seu estado de luta consigo mesmo, tentando em vão encontrar argumentos para não voltar ao aprisco do Senhor. Fico triste ao perceber que o seu coração está magoado, contrito e esfacelado e, mesmo assim, luta contra o desejo do seu espírito em voltar para a casa do Pai. Triste em ver o seu estado de abandono e desolação voluntária.

OVELHAS QUE SE PERDEM

Em uma de suas parábolas Jesus falou sobre um homem que tinha cem ovelhas, e, em determinado dia, acabou perdendo uma delas (Lc. 15.4). Na situação hipotética, quem perdeu a ovelha foi o pastor. O motivo? Não se sabe. São infinitas as possibilidades. Como resolver o problema? Deixar as 99 no deserto e partir em busca da ovelha perdida. Se analisada na forma literal a alternativa apresentada pelo Mestre parece estranha; mas é isso mesmo. As 99 ficariam no calor escaldante do deserto até o pastor reencontrar a ovelha perdida. Pela matemática convencional essa equação não seria a mais viável. Não é certo que mais vale 99 na mão do que 100 voando!? Entretanto, na matemática da graça essa não é a equação ideal. Uma ovelha vale tanto quanto 99! O pastor não pensa em números, mas sim em vida. Ele não analisa quanto ele quer ganhar, mas sim quanto ele não quer perder.

Mas, outro problema se impõe. E se ovelha não quiser voltar para o aprisco. Pior, e se foi a própria ovelha quem quis se perder? Talvez, quem sabe, ela mesma colocou algumas idéias fixas na mente, insuflada pelo urubu que sempre a visitava, e arrumou várias desculpas para procurar novos horizontes: “Não consigo mais viver nesse aprisco”; “O aprisco é muito apertado, vou buscar um lugar melhor para viver”; “A nossa alimentação não é tão boa”; “Sou muito mais esperta e moderna que essas outras ovelhas”; “E tem mais, o pastor não é lá essas coisas; acho que posso sobreviver sozinha”.

Justificativas e mais justificativas. Subterfúgios e mais subterfúgios.

TEMPO DE VOLTAR

Problema, grande problema. Quando a ovelha acha que o aprisco não é o melhor lugar para viver, ela pode encontrar outro local onde possa somente sobreviver, porém com lembranças nostalgicas da vida no aprisco, das suas irmãs ovelhas e do pastor. Chega um momento em que ela percebe que fora do aprisco ela não tem segurança, nem alimento certo e constante. Assim, o pensamento de falta de identidade e confusão mental começa a invadiar a sua mente. A tristeza se impõe e a desolação assola o seu ser.

E agora, fazer o quê? O certo, óbvio, é voltar para o aprisco. Entretanto, as justificativas ainda permancem na sua mente: “O aprisco está muito institucionalizado; são muitas as regras, e as ovelhas agora só vivem de aparência. Algumas pintam seus pêlos; outras se tosam completamente. E o pastor tem levado uma comida que não me agrada. Então, acho que vou permanecer fora do aprisco, com lembranças dos bons tempos”.

Esse é o erro das ovelhas emergentes. Elas acham que por existir problemas no aprisco, podem viver fora dele. Ledo engano. Problemas existem dentro do aprisco, e mais ainda fora dele. Alguém abandona a sua família quando há brigas dentro do lar?

A espiritualidade sadia não se conquista individualmente, mas somente por meio da comunhão com aqueles que participam do aprisco. O problema em querer abandonar esse ambiente nasce no momento em que imaginamos que estamos ali somente para receber algo. Esse é um erro. Estar ali é um ato de adoração e de entrega. Estamos ali não para receber, mas para oferecer. Foi isso o que Deus ensinou ao seus filhos, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. A entrega sem reservas é importante não porque Deus exige; mas porque no momento em que nos entregamos somos também esvaziados de nós mesmos; de nosso individualismo e da nossa prepotência. Olhamos para Deus não como o presenteador, mas como o nosso Pai. Olhamos para nossos irmãos, não como associados, mas como irmãos.

Abandonar o aprisco não é sinônimo de verdadeira espiritualidade, mas de individualismo espiritual, pensando que podemos resolver os problemas abandonando as outras ovelhas. A questão é que, mais cedo ou mais tarde, a ovelha que abandonou o aprisco perceberá o senso de desconforto fora do aprisco, e se tudo correr bem, ela voltará para perto do Sumo-Pastor. Espero que isso aconteça!

16 comentários

  1. Caro Irmão Valmir, quem dera o caso relatado pelo irmão fosse uma exceção! Creio que o abandono ou troca de igrejas deve ser tão antigo quanto as igrejas, mesmo no princípio quando não havia várias denominações. Uma pessoa simplesmente poderia continuar na mesma igreja (ministério) e apenas trocar de bairro devido à alguma preferência pessoal. Mas vejo que o caso agora é outro e muito mais grave. O caso torna-se diferente quando há “teologias” pairando pelo ar (leia-se internet, principalmente) não apenas JUSTIFICANDO, mas até mesmo APOIANDO o abandono da igreja quando estas deixam de preencher os padrões recém-estabelecidos e perdem a GRAÇA. O mais interessante e perigoso é que as MESMAS JUSTIFICATIVAS que estão sendo dadas para o ABANDONO OU TROCA DE IGREJA estão sendo apresentadas para O DIVÓRCIO. Basicamente, se o casamento (ou a igreja) estiver doente e não mais gerando vida, troque-o. Simples, não?? Pelo amor de Deus, o que aconteceu com o poder de cura de Jesus Cristo?? O que aconteceu com a responsabilidade que temos com os irmãos (ou o cônjuge)?? E, porventura, não são os doentes que clamam por médico?? Existe um velho e famigerado jargão evangélico que parece ser mais lúcido e humilde que a atual “teologia da troca”, que é : “Se você souber de alguma igreja perfeita, não faça parte dela para não estragá-la”. Que o Senhor resplandeça Sua verdade sobre aqueles que estão sedentos de verdade!!

    Rubens

  2. Rubens,

    Denomino a teologia da Igreja Emergente como uma ” justificativa intelectual do desviado”. Podem bramar tanto quanto queiram, mas, essa prática não possui nenhuma aprovação bíblica. E infelizmente esse joio tem crescido principalmente na internet, como o próprio Silas Daniel informa no livro. Isso é perceptível. Alguns “cristãos criativos” estão defendendo essa teoria como se fosse a grande revelação divina dos últimos tempos; como sinal da verdadeira espiritualidade. É o fim de picada!
    Abraço

  3. Acho que o irmão não entendeu de forma correta a igreja emergente, ninguém defende o afastamento do aprisco e nem do sumo Pastor, apenas de certas denominações e lideres.
    A pessoa sem denominação não está necessariamente fora do aprisco, pode estar se reunindo informalmente com outras ovelhas e sendo guiada pela Bom Pastor.

  4. Uma pena que o termo “Igreja Emergente” tenha sido tão distorcido de sua idéia original, que trata pura e simplesmente do “como ser cristão” num contexto de pós-modernismo que acredita-se que vivemos hoje. Porém, em nenhum momento existe um apoio ou estimulo a qualquer tipo de teologia que não seja bíblica.
    Talvez o rótulo “teologia da Igreja Emergente” como uma ” justificativa intelectual do desviado” seja um pouco exagerado e simplista para um grupo grande e crescente de cristãos que têm enxergado a igreja moderna (aquela que relaciona sucesso com quantidade, números e prosperidade física e material) como algo que se distancia da Igreja que emergiu nos primeiros anos após a ressurreição de Cristo.
    Fica o convite à todos, a conhecer melhor não a “teologia da igreja emergente”, porque esta não existe, mas o amor prático de Cristo, buscando entender o indivíduo antes de um rótulo ou classificação qualquer.
    Sugiro que visitem e conheçam melhor pessoas envolvidas no que se acredita ser a igreja emergente. Leiam livros e artigos não preconceituosos à respeito do assunto. No fundo, não é diferente do que voltar ao cristianismo puro e simples da Bíblia.
    Abraços

    PS.: http://www.igrejaemergente.com.br

  5. Na verdade, o constante aumento dos ex-igreja ou os sem igreja, dos desiludidos com a igreja é:
    1-Liderança presunçosa “os super pastores”
    2-Falsa idéia que Deus é obrigado a fazer o que “eu determino”. Quando Deus não responde, acho que Deus não liga para mim. Fico desiludido com Deus
    3-Pseudo espiritualidade. “Muita fumaça, prá pouco fogo” – Na verdade, existe um fogo estranho no seio da igreja e a comunidade cristã vive uma vida de santidade superficial. Muitos não suportando isso simplesmente deixam o aprisco.
    4-Grande confusão teológica, temos até ouvido falar na “unção do leão”, “cuspe sagrado”, “sabonete ungido que limpa a alma”, “rosa ungida” e assim vai…
    5-Teologia da troca com Deus. “Dê e Deus te devolverá…”
    Deus não devolvia e a ovelha triste sai.
    6-Sincretismo religioso. Uma grande mistura, uma verdadeira salada teológica.

    Precisamos voltar às origens. Ensinando as pessoas a simplesmente a serem seguidoras do Mestre. Jesus disse que seriam discipulos dele aquele que cumprissem o que Ele mandou. Ele ainda afirmou que seus mandamentos não são penosos.
    Precisamos ensinar as pessoas a serem simplesmente ovelhas, cujo pastor maior é Jesus. Mesmo sabendo que Ele usa a instrumentalidade dos pastores terrenos para guiarem as ovelhas.

  6. Tudo o que o homem faz tem muros, cercas e fronteiras. Respeitamos esses limites ou não, identificamos as coisas por estarem dentro ou fora. Reconhecemos as pessoas por pertencerem ou não aos limites impostos por esses muros. É a cerca ou o muro o poder que as mantém ali.

    Quando Deus deu ao homem o judaísmo, uma religião de formas, leis e rituais, criou todo um sistema que mantivesse o homem dentro de seus muros e reunido por suas cercas. O Senhor se referia aos israelitas como Suas ovelhas reunidas pelas cercas de um aprisco.

    Aprisco é o lugar onde mantemos cabras e ovelhas, também chamado de curral quando usado genericamente para gado. Lembro-me de um aprisco que construí em um sítio que tive e a coisa mais difícil era levar as cabras para dentro dele e mantê-las ali. Era preciso vigiar, ou elas acabavam pulando o portão ou se esgueirando por entre os arames da cerca.

    As ovelhas eram mais dóceis e descobri que não precisava enxotá-las para dentro do aprisco quando as queria lá. Bastava caminhar na frente e elas me seguiam mansamente.

    O Senhor disse aos seus discípulos judeus que tinha outras ovelhas que não pertenciam ao aprisco ou sistema religioso judaico. Um dia Ele as iria chamar, elas ouviriam Sua voz e O seguiriam. Não haveria mais um aprisco, mas um rebanho, que é a simples reunião das ovelhas em torno de seu Pastor.

    Enquanto o aprisco precisa de cercas para reunir as ovelhas, o rebanho precisa apenas de um pastor que as atraia e a quem elas sigam. No primeiro caso elas permanecem onde estão pelos limites impostos. No segundo, são atraídas como a um imã, sem necessitar de cercas ou muros. No primeiro, é a cerca ao redor que as reúne. No segundo, é o pastor no centro que as atrai.

    O que mantém você onde está, a religião ou o Pastor? Onde está você, no aprisco ou no rebanho?

  7. Não é correto o que a maioria dos “posts” aqui elegem como a verdade sobre os que têm saído das igrejas institucionais. Vós vos arvorais como sumos detentores da verdade e esqueceis que o homem não pode limitar o operar de Deus e muito menos o que faz o Espírito Santo. É muito fácil para vós resolver vosso incômodo proclamando simplesmente que nós, os dissidentes, estamos errados, somos desviados e estamos em erro. Por que não examinais diante do Senhor se há erro realmente no que fazemos? Não são vossas instituições que têm falhado? Não são pastores e ovelhas gordas que se auto-apascentam e não cuidam do rebanho? Não será isso o que está em Ezequiel 34?
    Examinai e vede se não pregais contra a obra de Deus.

  8. Valmir, acho que está entricheirando pessoas dentro de um rótulo. Igreja emergente não são “inteeltcuais desviados”. Muito menos cristãos “sem igreja”. Igreja emergente pode ser a sua, desde que esta esteja preocupada em arvorecer p/ o Evangelho puro e simples fugindo das manipulações teológicas que acabam dando em afastamento da proposta suma de Cristo.

    A igreja se resume a templo, bancos, liturgia e programações? Se sim, realmente estou fora. Mas, se igreja é um, dois ou mais reunidos em nome de Jesus, para exortar uns aos outros, orar uns pelos outros, louvar juntos, adorar juntos, estudar as Escrituras, compartilharem a vida comum de Cristo, ceiarem em alegria, etc, etc (as vezes isso acontece mesmo em templos), então não estou fora da igreja. Só estou fora dos templos, das denominações, das intitucionalizações… mas, mesmo não estando dentro destas, não sou eu quem vai dizer que os meus irmãos lá dentro estão desviados. Deus conhece os seus, não teria tal presunção. É claro que existem muitos que aproveitam-se da tal dita “teologia emergente” – que não existe – para darem respaldo a suas vidas longes da praxis cristã. Tão quanto existem os lobos que se aproveitam da “teologia convencional” para darem respaldo a suas sórdidas intenções e orgulho.

    Não me recordo bem, mas acho que foi Agostinho o autor da frase: “Deus já possui ovelhas em seu aprisco que a igreja ainda não alcançou”. É muita pretensão de nossa parte definir o escopo de quem é ou não é de Deus. Somos chamados para amar uns aos outros e moldar-nos em Cristo, e isso já basta. Rotular as pessoas é rotular Deus.

    Conheço o citado no texto e posso atestar-lhe que é um grande exemplo de homem de fé, rendido a Deus e à Sua vontade. É um santo, um exemplo de cristão. É triste julgar quem não conhecemos.

    Querido irmão, espero que continue sendo instrumento tão importante nas mãos de nosso Senhor.

    Abraços!

  9. Thiago,

    Obrigado pelo comentário.

    Você diz que: “acho que está entricheirando pessoas dentro de um rótulo. Igreja emergente não são “inteeltcuais desviados”. Muito menos cristãos “sem igreja”. Igreja emergente pode ser a sua, desde que esta esteja preocupada em arvorecer p/ o Evangelho puro e simples fugindo das manipulações teológicas que acabam dando em afastamento da proposta suma de Cristo.”

    Interessante, Thiago, que o movimento da IE tem feito exatamente isso: manipulações teológicas. Como se a espiritualidade deles fossem a mais sublime q existe.

    Sinceramente. Acredito q não.

    Valmir

  10. Oi, Valmir…

    Desculpe a resposta tardia!

    Se o termo “Igreja Emergente” já tem tomado forma de cerco religioso, e como consequência, torna-se motivo de compêndio com outras insígnias religiosas cristãs. Então, coloquemos esta no mesmo roll de “manipulações teológicas”. Se esta julga a si como a melhor forma, melhor abordagem, melhor prática… ou até melhor teologia, então incorre no velho e repetitivo erro de todos os outros movimentos.

    Na verdade não estou aqui para defender “teologia”, porque é coisa de homem.

    Só gostaria que respondesse o seguinte. Eu não faço parte de nenhuma denominação, não frequento nenhum templo. Me reuno com meus irmãos de fé.

    Considera-me fora da Igreja?

    Abração!

  11. É DIFICIL PERMANECER EM UMA “IGREJA´´QUE NÃO ENSINA O CAMINHO DA SALVAÇÃO LOGO SE FAZ NECESSARIO SAIR DELA A PIOR DE TODAS SÃO UNIVERSAL, INTER. DA GRAÇA, RENACER,BOLA DE NEVE EM PAIS TROPICAL, SARA NOSSA TERRA,MUNDIAL… A ASS.DE DEUS EU E A BIBLIA A CONSIDERAMOS APOSTATA… ENTÃO DEVEMOS FAZER COMO OS PRIMEIROS CRISTÃOS E CULTUARMOS A DEUS EM CASA…

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