Um trocadilho para Deus


Cristianismo velho em um mundo novo ou mundo velho em um cristianismo novo?

por Valmir Nascimento

Charles Colson referindo-se à igreja da atualidade disse que “o inimigo está entre nós. Ele se infiltrou de tal modo em nossas linhas que muitos simplesmente já não conseguem distinguir entre o amigo e o inimigo, entre a verdade e a heresia”.

Hank Hanegraaf chamou isso de “um câncer que está devorando a Igreja”. Este câncer vem sendo alimentado por uma constante dieta que poderia ser chamada de “cristianismo das refeições rápidas” – belas na aparência, mas fracas em substância.

Dave Hunt denominou esse fato de efeito “cavalo de Tróia”. Segundo ele nem mesmo os mais importantes estudiosos das seitas têm conseguido reconhecer o cavalo de Tróia que penetrou na Igreja e em suas próprias fileiras e as está seduzindo por dentro.”

Inimigos em nossas linhas, câncer em expansão ou cavalo de Tróia são expressões que descrevem a situação da igreja atual, a qual tem deixado idéias do “mundo novo” adentrarem-se além das portas do “cristianismo velho”, efetuando mutações prejudiciais nos alicerces dos fundamentos cristãos e nas bases da fé evangélica; formando assim o que se pode chamar de “mundo velho” dentro de um “cristianismo novo”. Um trocadilho irônico, porém realista. Um jogo de palavras aparentemente imbecil, entretanto, condizente com os fatos contemporâneos.

Não se trata de uma simples brincadeira de vocábulos ou uma dança de sílabas no estilo “tal biscoito vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”. Pelo contrário, refere-se a uma perquirição de elevada importância fazendo-nos refletir acerca da situação do cristianismo frente o mundo moderno.

De volta para o passado
Passados mais de dois mil anos o cristianismo têm conseguido reter os fundamentos estabelecidos pelo Senhor? Em pleno século XXI a igreja moderna têm persistido na doutrina dos apóstolo? A igreja tem influenciado o mundo, ou o mundo tem influenciado a igreja? Esses são os questionamento oriundos do trocadilho em evidência.

Uma rápida olhadela no túnel do tempo é suficiente para notarmos que definitivamente muita coisa mudou desde que Cristo deixou as marcas das suas alparcas pelo chão empoeirado da Palestina. Muita diferença existe daquele contexto em que Paulo iniciou a pregação do evangelho mundo afora.

Para comprovar, retornemos ao tempo dos Apóstolos, especificamente no contexto de Atos 11:26: “E sudeceu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos”.

O texto bíblico faz referência à primeira vez que o nome cristão é utilizado, o qual é atribuído aos que seguiam as doutrinas de Cristo; àqueles que eram discípulos do Carpinteiro que transformou vidas, efetuou milagres e padeceu sobre a cruz.

Naquela época seguir o Filho de Deus e fazer parte do grupo dos cristãos não era a melhor opção em termos sociais. Quando alguém se dizia cristão é como se gritasse aos quatro ventos: “Aceitei a Jesus, que venham as perseguições, a fome ou a espada. Para Cristo vivo e por Ele morro”. Tinham a plena convicção de que haviam escolhido o caminho estreito e que haveriam de passar por dificuldades e enfrentar perseguições, por amor ao nome de Cristo.

De olho no presente
O tempo passou, a perseguição se foi (não completamente, é claro) e o cristianismo aumentou. Agora, ser cristão evangélico está na moda! Abra qualquer revista semanal e comprovarás o que digo. Atualmente, já perdi a conta de quantos matérias já foram publicadas sobre a “fé evangélica”. A exemplo das máquinas fotográficas e dos celulares digitais, ser gospel está em voga: A cada dia surge uma nova denominação, templos abertos, fiéis arrebanhados.

Graças damos a Deus pela obra redentora que têm efetuado nos tempos modernos. A conversão e transformação de pessoas que outrora não tinham a mínima intenção de conhecerem a Cristo, agora, rendem-se aos seus pés. Vislumbra-se, então, o cumprimento das profecias bíblicas. O inicio do fim.

No entanto, a evolução do cristianismo tem intensificado também o número de cristãos nominais. Pessoas que são levadas pela onda e arrebatadas pela emoção passageira. Surgindo, assim, cristãos que não sabem o valor de Cristo; não compreendem os valores do Reino e ignoram as escrituras sagradas. Pensam que epístolas eram as esposas dos apóstolos; que Raiz da Tribo de Jessé serve para fazer chá, e Leão da Tribo de Judá é uma espécie de felino.

Cristãos que buscam vitória ao invés de santificação; bênçãos em detrimento de oração; prosperidade no lugar de humildade; movimentos à avivamento; superficialidade à consistência; shows ao invés de adoração. Pensam que igreja é ponto de encontro e que culto é evento social.

Na liderança aparecem novos profetas-ungidos-visionários: Administradores de igreja, no lugar de pastores de ovelhas. Gerentes eclesiásticos, ao invés de servidores do próximo. Componentes de organizações ao invés de membros de um organismo. Personal Trainner Espiritual ao invés de ministros do evangelho. Gostam de números, não de vidas. Amam o status, não as almas.

Observa-se continuamente o surgimento de Igrejas, ditas cristãs, que defendem o aborto, fazem apologia ao homossexualismo ou reivindicam um cristo cósmico e de sexualidade duvidosa. Pregam um Deus complacente com os erros e fora dos padrões bíblicos. Reivindicam bênçãos e prosperidade. Requerem dinheiro, carros e mansões.

Nesse contexto atual, ainda, muitos lideres enveredaram-se pelos caminhos das estratégias de mercado para arrebanharem mais seguidores, ou aderiram ao movimento chamado “a igreja ao gosto do freguês” conforme denominou T. A. McMahon; que segundo ele tem invadido muitas denominações evangélicas, propondo evangelizar através da aplicação das últimas técnicas de marketing voltadas para os “consumidores espirituais”, enfatizando, desta forma, os benefícios temporais de ser cristão e colocando a pessoa do “consumidor” como seu principal ponto de interesse, cuja principal abordagem centra-se na gratificação imediata, nas bênçãos terrenas e no “sentir-se bem consigo mesmo”. Nesse compasso, as assim chamadas “megaigrejas” adicionam salas de boliche, quadras de basquete, salões de ginástica, auditórios para concertos e produções teatrais e franquias do McDonalds tudo para agradar os seus “clientes”.

Cristianismo velho em um mundo novo ou mundo velho em um Cristianismo novo?

Feitas essas considerações é perfeitamente possível verificar as diferenças existentes na pergunta-trocadilho proposta “Cristianismo velho em um mundo novo ou Mundo velho em um Cristianismo novo?”.

Cristianismo velho em um mundo novo é luz que resplandece nas trevas. Mundo velho em um Cristianismo novo são sombras que escurecem o interior do templos.

Cristianismo velho em um mundo novo é o sal que tempera a terra. Mundo velho em um Cristianismo novo é corrupção generalizada no seio eclesiástico.

Cristianismo velho em um mundo novo é o evangelho em expansão levando a mensagem da salvação a todas as criaturas. Mundo velho em um Cristianismo novo são ideologias humanistas introduzidas no âmago das boas novas.

Cristianismo velho em um mundo novo são discípulos que vivem (e morrem) pela causa do Mestre. Mundo velho em um Cristianismo novo são consumidores em busca de “produtos espirituais”.

Cristianismo velho em um mundo novo são os olhos voltados para a cruz de Cristo. Mundo velho em um Cristianismo novo é o coração voltado para os bens terrenos.

Cristianismo velho em um mundo novo é o Pedro que se arrepende. Mundo velho em um Cristianismo novo é o Judas que se enforca.

Cristianismo velho em um mundo novo é gratidão. Mundo velho em um Cristianismo novo é requerimento.

Enfim.

Cristianismo velho em um mundo novo é Deus no controle. Mundo velho em um Cristianismo novo é o homem no comando.

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