Salvação e relativismo


A influência do Relativismo na compreensão da doutrina da Salvação

Por Marcos Antônio Guimarães

Entre os mais variados temas teológicos, a doutrina da salvação merece atenção especial, pois, trata-se de um tema central em toda Bíblia, e está de alguma forma presente em quase todas as formas de religiosidade que conhecemos. Isto sugere que existe uma necessidade implícita no gênero humano de libertar-se do poder e da influência do pecado. Ainda que a grande maioria dos povos não possua esta revelação de forma clara como encontramos na Bíblia Sagrada.

Salvação: conhecimento revelado
Sendo assim, observamos todo o cuidado do Senhor Deus em revelar à humanidade o conhecimento à respeito da salvação, ou seja, a compreensão de um plano de salvação perfeitamente elaborado, onde a criatura reconheça sua condição de queda, entenda a necessidade de arrependimento e aceite pela fé a redenção promulgada por Jesus Cristo, cujo ápice se deu com sua morte no calvário seguido de sua ressurreição no terceiro dia, sendo Jesus Cristo o único caminho pelo qual o homem pode ter acesso à Deus.

O termo salvação, portanto, implica a ação operada por Deus de, por meio da obra de Jesus Cristo, libertar o ser humano do poder e dos efeitos do pecado e da queda, de maneira que a criação em geral e o ser humano em particular possam desfrutar da plenitude da vida projetada por Deus.

Entendendo o relativismo
A salvação conforme revelada nas Escrituras Sagradas, tem sido alvo constante dos críticos relativistas. O termo deriva do latim, relatus, “relativo”, “cognato” de alguma coisa. Na filosofia, esse vocábulo indica que coisa alguma subsiste isolada, não podendo ser considerado um absoluto por si mesmo. Antes, todas as coisas seriam interdependentes, modificando-se umas às outras.

Teoria esta contrária à idéia de que o ser humano tenha algum conhecimento objetivo e universalmente significativo, que haja alguma realidade metafísica (transcendente) suprema e imutável como, por exemplo: Deus, pessoas, espaço, tempo, leis naturais ou absolutos morais. Desta forma, na concepção relativista, o significado e a verdade são relativos a cada cultura e período histórico, a cada pessoa, situação, relacionamento e resultado. Dá a entender um estado mental e uma maneira de pensar que repele as reivindicações absolutas.

A idéia do relativismo não é algo novo, o filósofo grego Protágoras (490-410 A.C) já dizia sobre a verdade “o homem é a medida de todas as coisas” e Aristóteles (388-322 A.C.) comentando as palavras de Protágoras escreveu – Em outras palavras,[Protágoras]estava dizendo que cada impressão particular é absolutamente verdadeira. Mas se essa posição for adotada, decorre-se que a mesma coisa é e não é, que é tanto boa quanto ruim, e assim por diante em outras contradições; porque por fim, determinada coisa parecerá bela para um grupo de pessoas e feia para outro e, pela teoria em questão, cada aparência será “a medida”.

A influência do relativismo na compreensão da salvação
O entendimento do que foi supracitado conduz o indivíduo a crer que, a questão da salvação muda de acordo com o seu contexto, ou seja, não se trata de um absoluto, de uma verdade imutável, mas como querem conceituar, está vinculado ao entendimento temporal e cultural de cada indivíduo, sendo assim, dentro deste entendimento, não importa a fé praticada, no final todos serão salvos, mesmo aqueles que não professam a fé em Cristo.

O referido entendimento tem permeado todos os níveis de pensamento, da educação à teologia. Sendo assim, não nos surpreendemos em ouvir discursos a este respeito provenientes de pensadores seculares, quaisquer que sejam eles, ou de líderes religiosos não-cristãos, mas é preocupante quando ouvimos: “Deus não é cristão. Não somos nós que devemos impor limites ao que Deus é e a quem aceita. Gostaria que todos tivessem a experiência de conhecer o Dalai Lama. Encontrei poucas pessoas tão santas como ele. Trata-se de alguém que recebeu graças extraordinárias. Se não aceitamos que elas vieram de nosso Deus, então nosso Deus não é Deus – disse. Afirmou ainda que os seguidores do cristianismo não devem estar obcecados com a conversão do próximo: Temos muito o que aprender com as outras religiões. Deus acolhe a todos – Palavras do arcebispo Anglicano Desmond Tutu por ocasião da 9ª Assembléia Mundial do Conselho Mundial de Igrejas, que na ocasião falava aos mais diversos segmentos religiosos e sociais ali presente.

O arcebispo Anglicano desprezou a ordenança vital de Jesus aos seus discípulos conforme a narrativa de Marcos 16:15 “ide por todo o mundo pregai o evangelho à toda criatura, quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado”. Cristo não pregou a destruição de culturas, mas insistiu que a todos os homens sobre a terra fosse anunciado a mensagem do evangelho.

A Salvação não pode ser compreendida fora do contexto Bíblico
Para o Dr. R. N. Champlin o relativismo (manipulado pelos estudiosos e teólogos liberais) tem procurado anular o caráter inigualável do cristianismo, fazendo o Senhor Jesus, o Cristo, ser apenas um de nossos mestres, e não, necessariamente, o nosso grande Mestre espiritual, o manancial de todo conhecimento e sabedoria, “o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Col. 2:2b3). Por semelhante modo, muitos eruditos liberais deixam-se atrair pela ética relativista, visto que eles não dependem da moral que nos foi divinamente relevada na Bíblia. O filho de Deus que ama a sua Bíblia e o Senhor da Bíblia não aceita o relativismo aplicado à fé religiosa.

No primeiro contato com a vida cristã, é apresentado ao ser humano um padrão de vida moral e ética elevados. Sendo assim, o cristianismo não é uma fé inclusivista, uma vez que a permanência do ser humano numa vida de iniqüidade é inaceitável, pois, ao pecador é demonstrado seu estado de iniqüidade e o caminho para a sua libertação, que é Jesus Cristo.

Não relegamos a segundo plano, o fato de que todo ser humano é pecador e precisa de arrependimento, qualquer que seja sua condição social ou étnica, importa que seja liberto, que seja feito nova criatura. Não se trata de uma postura de exclusivismo, e sim de mudança de vida.

Um caráter moldado pelo materialismo e pelo individualismo tem afastado os homens de Deus, produzindo angústia e desespero, e quanto mais profundamente caminham para longe Dele mais solitários e necessitados se tornam. E, somente Jesus Cristo pode conduzir o homem de volta para Deus, onde se encontra a Paz verdadeira.

Se todos os caminhos levassem a Deus, não teríamos um mundo mais harmônico, mais pacífico? Pelo contrário, observamos que a multiplicidade religiosa não pode fornecer ao homem respostas que sua alma tanto anseia, mas o evangelho de Jesus Cristo tem estas respostas. Nas escrituras sagradas se encontra revelada a verdade como ela é, transparente e desafiadora, porém, incisiva, e regeneradora.

Referências:
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 4 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. 7ª ed. São Paulo: Hagnos, 2004.
GRENZ Stanley J., GURETZKI David, NORDLING Cherith F. Dicionário de Teologia. São Paulo: Ed. Vida, 2000.
MORELAND, J. P., CRAIG, William Lane. Filosofia e cosmovisão cristã. São Paulo: Vida Nova, 2005.
COMÉRCIO, Jornal do. Desmond Tutu prega tolerância entre igrejas. 21 fevereiro de 2006. Disponível em: http://jc.plugin.com.br/noticias.aspx?pCodigoNoticia=10987&pCodigoArea=36, Acesso em 25/09/2006.

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