A marcha da má(conha)

E eu que pensava que já havia visto tudo o que é tipo de marcha e passeata no Brasil, enganei-me, pois agora saíram com mais uma, é a marcha da maconha, a qual eu denomino de “A marcha da má(conha)”. Eles tem até um blog.

O objetivo de tal marcha é promover manifestações em cidades como o Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Salvador e mais 8 cidades em todo país, no próximo dia 4 de maio, visando, segundo eles ” construir espaços onde indivíduos e instituições interessadas em debater a questão possam se articular e dialogar, estimulando reformas nas Leis e Políticas Públicas sobre a maconha e seus diversos usos.”

Peraí, mas fazer apologia às drogas não é crime?

Sim, certamente! Exatamente por isso que a Justiça de Salvador e Cuiabá proibiram o evento, afinal assim dispõe a lei:

“Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga:Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa de 100 (cem) a 300 (trezentos) dias-multa.” Artigo 33, § 2º da já bastante liberal Lei 11.343

O interessante é que os organizados da marcha da má(conha) sabem perfeitamente que a apologia ao uso da droga é crime, inclusive eles abordam isso no site, porém, tentam apresentar um argumento absurdo a favor do evento. Eles dizem:

É crime fazer apologia da maconha, e não é essa a nossa intenção. Mas a realidade é que cresce cada vez mais o consumo dessa planta e, portanto, não adianta ser hipócrita e não falar abertamente desse assunto - deixar de fazer o único trabalho de prevenção possível: educar sem contar mentiras.

Neste exato momento milhares de pessoas estão fumando em toda parte e, se a polícia fosse se dedicar a todas elas, não teria tempo para cuidar de nenhum outro crime, dos verdadeiros crimes, daqueles dignos desse termo: assassinatos, roubos, estupros, corrupção, seqüestros, violência. Sabe-se que a polícia perde um tempo enorme desde a detenção de uma pessoa com maconha - às vezes apenas com um simples baseado ou bagana -, até terminar de preencher toda a papelada na delegacia para que o “maconheiro�? compareça mais tarde ao juizado - que por sua vez tem coisas mais urgentes pra julgar.

Então, quer dizer o seguinte, como o número de usuários de maconha cresceu em todo o mundo a saída mais viável seria a sua liberação, posto que se a polícia fosse se dedicar a prender todos os usuários, não teria tempo para cuidar de nenhum outro crime. Que maravilha! Que argumento mirabolante!

Então é assim. Fácil. Fácil. Se o número de criminosos aumenta basta liberar que tudo está resolvido. Será que esse pensamento pode ser aplicado ao uso da cocaína, da heroína e de outros tipo de drogas? Ainda, será que esse argumento pode ser usado em benefício de outros criminosos como os corruptos, ladrões e estelionatários? Baseado na lógica pró má(conha) não há o menor problema em ampliar essa idéia, afinal, o ponto central de um crime, pra eles, está baseado na quantidade de pessoas que o cometem. Se forem muitos, libera; senão, prende-se! O problema será saber qual o percentual necessários de usuários para se saber se uma droga pode ser liberada. 50? 70? 80 Porcento? Não tenho a mínima idéia, e penso que eles também não, posto que eles nem perceberam a asneira que disseram.

Reinaldo Azevedo comentou o assunto em seu blog, e eis aqui uma parte em que ele encerra o assunto:

Já disse: sou um chato legalista. Essa “marcha” tem de ser proibida. Se, uma vez proibida, as pessoas insistirem em promovê-la, então não vejo outra saída: cana! Esse negócio de que todo mundo tem o direito de marchar contra a lei de que discorda em nome da liberdade de expressão tem quais limites éticos? Deve haver quem defenda a pedofilia, por exemplo, porque, afinal, na civilização grega, etc e tal… Se os valentes querem patrocinar a causa, que arrumem um representante no Congresso que esteja disposto a assumi-la.

Sabem o que é curioso? Uma marcha a favor do cigarro, por exemplo, seria de pronto repudiada - inclusive por gente que defende a da maconha. “Ah, mas cigarro já é legal; não precisa de marcha”. Sim, mas os fumantes são hoje quase párias sociais, não é mesmo? Estou, de fato, chamando a atenção para uma questão: essa marcha da maconha toca num flagelo social: o fato de as drogas hoje consideradas ilícitas serem consideradas ainda um valor “de resistência”, o que faz com que se transformem numa espécie de “cultura”.

Pior: os maconheiros querem fazer de conta - e só por isso o filme Tropa de Elite foi repudiado por alguns “descolados” - que o consumidor de droga não integra a cadeia do tráfico e, portanto, da violência e do crime organizado. O argumento de que a legalização da maconha diminuiria a violência é só uma tolice irresponsável. No mesmo caminho, seria preciso tornar legal a venda das outras substâncias: cocaína, crack, heroína - ou os traficantes de maconha migrariam pra elas, certo? Mais: o Brasil não fará isso sozinho. A Inglaterra, por exemplo, está na contramão: apertando o cerco também contra a maconha.

Em suma, esse evento é uma afronta à legislação penal brasileira, na medida em que contraria suas disposições e tenta, ainda, posar de “defensor da liberdade”.

A marcha é tão incongruente que eles colocaram o seguinte banner no site:

Ah, vá marchar pra outras bandas!

3 Responses to “A marcha da má(conha)”

  1. esse texto é tão hipócrita e tão cheia de pré-conceitos que o único que perdeu tempo pra escrever comentário fui eu…

    Amigo escritor desse texto, vc tem de acordar e ver outros horizontes, estamos no século XXI e vc parou no tempo

  2. Ola Sr. Valmir Nascimento

    Não está se pedindo para libere-se a venda de drogas, isso nem precisa mais de liberação do governo ou religião, o que se pede é uma reforma justa nas leis em todos os sentidos, inclusive nesta:

    Segundo nossa Constituição Federal de 1988, os templos de qualquer culto, inclui-se igrejas, gozam de imunidade tributária. Vide trecho da CF/88:

    Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

    VI - instituir impostos sobre:

    b) templos de qualquer culto;

    então que se cobre imposto sobre as igrejas não achas que seria justo?

    O que está bem para alguns padres, bispos, pastores ou qualquer chefe de igreja, congregação e afins, pois viver assim é bem melhor que vender qualquer droga, não é?
    E acrescento mais uma pergunta ao Sr.:

    O que matou mais até os dias atuais, o uso de ervas, sejam para uso medicinal ou como ritual social como vem acontecendo a milhares de anos antes da, desculpe a expressão, invenção das ditas religiões atuais, que são na verdade um meio de controlar massas e um meio de enriquecimento fácil, é só pensar como amedrontar os “fiéis” e deles tirar o tão suado dinheiro do fim do mês, então, o que matou mais até os dias atuais a maconha, ou as religiões oriundas de qualquer parte do mundo, no seu caso a cristã?

    Att.
    Fabrício

  3. Como mesmo diz o tão rejeitado evangelho de Didymos Tau’ma (Tomé (Tomás), o gêmeo) em verso 57.
    Em que Jesus diz ao discípulos

    O Reino do Pai é semelhante a um homem que semeou boa semente em seu campo. De noite, porém, veio seu inimigo e semeou erva má no meio da semente boa. O senhor do campo não permitiu que se arrancasse a erva má, para evitar que, arrancando esta, também fosse arrancada a erva boa. No dia da colheita se manifestará a erva má. Então será ela arrancada e queimada.

    Então deixe a erva má(conha), como o Sr. mesmo a denominou, crescer e que depois que ela seja arrancada e queimada, quem disse tudo está perdido, até encontramos uma utilidade para a erva, erroneamente associada a morte, pois, como diz o ditado:

    “Não são as armas que matam pessoas, pessoas sim matam pessoas”

    Esse uso indiscriminado de provérbios, versículos, paráfrases que não acabam mais, até quando, pergunto, até quando vão se utilizar da palavra de terceiros para expressar a própria vontade e assim embriagar os ouvidos do povo?

    Att.
    Fabrício

Leave a Reply